• dom. nov 1st, 2026

Anéis das árvores registram queda da poluição em SP

Anéis das árvores registram queda da poluição em SPImagem ilustrativa. Foto: <a href="https://pixabay.com/photos/tree-stump-tribe-forest-wood-2209361/" target="_blank" rel="noopener nofollow">theguidemarkii / Pixabay</a> (Licença Pixabay)

As árvores guardam a história do ar que respiram. Um estudo da USP mostrou que, durante a pandemia de Covid-19, os anéis das árvores de uma avenida de São Paulo registraram a queda da poluição dos carros e que a madeira ficou mais densa.

O que a pesquisa encontrou

A pesquisa, publicada na revista Environmental Pollution, foi liderada por Augusto Akio Lucchezi Miyahara, pós-doutorando no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP), com orientação do professor Giuliano Maselli Locosselli. Os cientistas analisaram tipuanas da Avenida 23 de Maio, muito movimentada, e do Parque Ibirapuera, usado como comparação por ter menos exposição direta ao trânsito.

Avenida movimentada com carros em uma grande cidade
Imagem ilustrativa. Foto: pixel2013 / Pixabay

Como os anéis viraram um registro

Cada anel de crescimento foi dividido em 15 partes, porque o lockdown foi curto demais para ocupar um anel inteiro. Em seguida, os pesquisadores mediram a proporção entre dois tipos de carbono, o carbono-13 e o carbono-12, e usaram raios X para medir a densidade da madeira ao longo de cada anel. A proporção de carbono-13 subiu durante o isolamento, o que combina com menos CO₂ de combustíveis fósseis no ar. Locosselli explica: “Ao reduzir a emissão veicular, o carbono na atmosfera e no anel de crescimento ficam mais pesados.”

Madeira mais densa

Nas árvores da Avenida 23 de Maio, a densidade da madeira aumentou no período; no Ibirapuera, não houve mudança parecida. Os pesquisadores relacionam isso a uma adaptação ao estresse hídrico: com menos CO₂ no ar, as árvores abrem mais os estômatos, os poros das folhas, e perdem mais água. Uma madeira mais densa reduz o risco de rupturas no transporte de água dentro do tronco.

Por que importa

O estudo mostra que as árvores urbanas respondem de verdade ao que sai do escapamento e podem servir de termômetro da qualidade do ar de uma cidade. Locosselli lembra que uma queda brusca da poluição, como a da pandemia, pode ter efeitos diferentes dos de uma transição energética gradual, em que as plantas vão se aclimatando, e que são necessários estudos de longo prazo. Para quem vive em cidades como São Paulo, é mais um motivo para valorizar a arborização, tema de iniciativas como a campanha para restaurar florestas no Brasil com 1 bilhão de árvores e o mural com tinta purificadora que equivale a 750 árvores.

Fontes: estudo na revista Environmental Pollution (Cena-USP, projeto Florestas Funcionais, apoio da Fapesp, Capes e CNPq), descrito pelo Jornal da USP, onde a notícia foi publicada originalmente (29/10/2026).

Leia também:

Boas notícias toda semana no seu e-mail

Uma vez por semana, um resumo das boas notícias no seu e-mail. Grátis.

Se você entende que esta publicação não deveria estar em nosso jornal, por favor, nos notifique.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *