Cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, mostraram que minicérebros cultivados em laboratório podem receber sinais de um sensor de toque e responder de um jeito que permite a um computador identificar letras do alfabeto Braille.
Como os minicérebros leram Braille
Os “minicérebros” são organoides cerebrais: aglomerados de células humanas com menos de 1 milímetro e cerca de 10 mil neurônios, que não têm várias estruturas do cérebro humano. A equipe usou um sensor tátil que registrou as 26 letras do alfabeto Braille e converteu esses dados em pequenos estímulos elétricos, aplicados aos organoides por meio de eletrodos.

Como as respostas foram lidas
A atividade elétrica dos organoides foi analisada por um algoritmo simples de aprendizado de máquina, que tentava descobrir qual letra tinha sido apresentada. Com um único organoide, a letra foi reconhecida corretamente em cerca de 61% das vezes. Com três organoides trabalhando juntos, o índice chegou a 83%. O acaso, para 26 letras, seria de menos de 4%.
O que o estudo ainda não mostra
O trabalho, publicado na revista Frontiers in Artificial Intelligence, não prova que os organoides aprendem com o tempo: mostra apenas que eles recebem os sinais e respondem de forma que pode ser decodificada. Os autores também dizem que ainda não sabem por que três organoides se saíram melhor do que um, e que isso é uma hipótese a testar. Os próximos passos incluem outros tipos de toque, como texturas e bordas, e testes em que o organoide recebe retorno sobre suas respostas.
Quem assina a pesquisa
O artigo é de Tianyi Liu, Hemma Philamore e Benjamin Ward-Cherrier, da Escola de Engenharia, Matemática e Tecnologia da Universidade de Bristol.
Por que importa
A ideia de usar tecido neural vivo como parte de computadores, a chamada inteligência de organoides, ainda está no começo, mas desperta interesse por prometer máquinas que gastam pouca energia e processam sinais do mundo real. Outras notícias do JBN, como a do óculos ligado ao cérebro que fez uma mulher enxergar de novo, mostram como a ligação entre cérebro e tecnologia avança. Por enquanto, é pesquisa básica: nada disso chega ainda a uma aplicação para o dia a dia.
Fontes: artigo “Encoding Tactile Stimuli for Braille Recognition with Organoids”, Frontiers in Artificial Intelligence; notícia publicada originalmente pelo Site Inovação Tecnológica.
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