Quem convive com o lúpus ganhou mais uma opção de tratamento no Brasil. A Anvisa aprovou o uso do obinutuzumabe (nome comercial Gazyva) como novo remédio para lúpus eritematoso sistêmico em adultos com a doença ativa, de moderada a grave.
Para quem é
A nova indicação, anunciada em 14 de outubro, vale para adultos com lúpus ativo, de moderado a grave, com exames positivos para autoanticorpos e que já fazem o tratamento padrão. O remédio não substitui esse tratamento: entra como um reforço. O obinutuzumabe já era usado no país contra alguns tipos de câncer do sangue e é fabricado pela farmacêutica Roche.
Como funciona
O lúpus é uma doença autoimune: o sistema de defesa passa a atacar o próprio corpo e pode afetar pele, articulações, rins, sangue e sistema nervoso. Os linfócitos B, células que produzem anticorpos, têm papel central nesse processo. O obinutuzumabe é um anticorpo monoclonal, aplicado na veia, que elimina essas células de forma prolongada.
O que o estudo mostrou
O principal estudo sobre o uso do remédio no lúpus é o Allegory, de fase 3, publicado em março no New England Journal of Medicine. Ele acompanhou 303 adultos com lúpus ativo por um ano. Metade recebeu o remédio e metade, placebo, todos mantendo o tratamento padrão. Os resultados após 52 semanas:
- 76,7% dos pacientes com obinutuzumabe tiveram melhora na atividade da doença, contra 53,5% no grupo placebo;
- 80% conseguiram reduzir a dose de corticoide de forma sustentada, contra 54,1%;
- o risco de ter uma crise da doença caiu cerca de 40%.
Os efeitos adversos graves foram um pouco mais frequentes com o remédio (15,9% contra 11,9%), e reações à infusão aconteceram principalmente na primeira aplicação.
Por que importa
Segundo a Anvisa, uma parcela importante dos pacientes continua com a doença ativa mesmo com os tratamentos disponíveis, sofre crises repetidas ou depende do uso contínuo de corticoides, que trazem efeitos colaterais sérios a longo prazo. Diminuir as crises e a necessidade de corticoide pode proteger órgãos como os rins. O remédio não cura o lúpus, e a decisão de usá-lo cabe ao médico reumatologista. Ainda não há informação sobre oferta no SUS.
Fontes: Anvisa, em comunicado reproduzido pela Agência Brasil e pelo Poder360; resultados do estudo Allegory resumidos pelo Rheum Live; notícia publicada originalmente pela Veja Saúde.
Leia também:
Se você entende que esta publicação não deveria estar em nosso jornal, por favor, nos notifique.