• dom. nov 1st, 2026
Cesto Ye’kwana vence Prêmio Objeto BrasileiroImagem ilustrativa. Foto: <a href="https://www.socioambiental.org/sites/default/files/styles/large/public/2026-10/FISHAU%204.JPG?itok=6EQCaWRo" target="_blank" rel="noopener nofollow">MabelAmber / Pixabay</a> (Licença Pixabay)

Um cesto Ye’kwana feito à mão com folhas de cipó da floresta está entre os vencedores do 10º Prêmio Objeto Brasileiro, promovido pelo Museu A CASA do Objeto Brasileiro, em São Paulo. A peça, chamada Fishau ou Wöwa Tömennato, levou o prêmio na categoria Produção Coletiva.

Um cesto tecido com saberes da floresta

O Fishau é um cesto cilíndrico com tampa, tecido por homens do povo Ye’kwana na região do Awaris, dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A matéria-prima são as folhas do cipó Ködaayu, colhidas na floresta, descascadas, limpas, fiadas e tingidas antes da trama.

Cesto de fibras vegetais trançado à mão
Imagem ilustrativa. Foto: dean7718 / Pixabay

Cores que vêm da natureza

Os tons amarelo, vermelho e preto vêm de tinturas naturais, feitas com cipós, cascas de árvores e raízes. Alguns pigmentos ficam até duas semanas na lama para chegar à cor desejada. Nos desenhos tradicionais aparecem figuras como o macaco Yaddakadu e outros grafismos da cultura Ye’kwana.

Quem inscreveu e o que vem pela frente

A peça foi inscrita pela Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume), de Boa Vista, em parceria com o Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA). A Seduume reúne 72 associados e representa cerca de 1.500 Ye’kwana no Brasil. O prêmio selecionou 26 trabalhos, entre eles quatro vencedores de categoria, que serão mostrados em exposição. A abertura e a cerimônia de premiação estão marcadas para 14 de novembro de 2026, na sede do museu.

Para Júlio Ye’Kwana, presidente da Seduume, a exposição mostra o artesanato e o conhecimento tradicional do povo para a sociedade brasileira e para o mundo. Ele resume: “Sem a natureza, a gente não vive.”

Por que importa

Premiar um cesto como design reconhece que o artesanato indígena reúne técnica, ciência e cultura transmitidas por gerações. Colher o cipó exige longas caminhadas pela mata, e é nesse percurso que os artesãos também fazem a vigilância do território, ligada ao plano de gestão territorial e ambiental da Terra Indígena Yanomami. Cuidar da floresta e manter o ofício vivo caminham juntos. Veja também iniciativas parecidas, como o projeto de mulheres indígenas que plantam árvores nativas na Amazônia equatoriana e a história em quadrinhos que retrata uma língua indígena de sinais.

Fontes: reportagem do Instituto Socioambiental (ISA), com texto de Ana Amélia Hamdan, Wuara Antezana e Juliana Carla, republicada pelo Portal Amazônia em 28/10/2026; notícia publicada originalmente pelo ISA.

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