Um exame de sangue para Alzheimer pode ajudar a indicar quem corre mais risco de ter problemas de memória e raciocínio anos antes dos primeiros sintomas. É o que mostra um grande estudo internacional publicado na revista JAMA e divulgado pelo Mass General Brigham, nos Estados Unidos.
O que os pesquisadores descobriram
A equipe reuniu dados de seis estudos observacionais e ensaios clínicos feitos na América do Norte, no Japão e na Austrália. Foram 2.684 pessoas mais velhas, sem nenhum comprometimento cognitivo quando entraram nas pesquisas. Elas deram amostras de sangue, fizeram exames de imagem do cérebro e foram acompanhadas por anos, com avaliações anuais. Cerca de 478 desenvolveram algum comprometimento.

O marcador analisado é a p-tau217, uma proteína ligada ao Alzheimer que pode ser medida no sangue. Entre os participantes com níveis muito altos, a chance estimada de comprometimento foi de 38% em cinco anos e de cerca de 78% em dez anos. Os autores avisam que os dados de dez anos são bem menos numerosos, então essa segunda estimativa é menos certa.
Vale mesmo com outros fatores de risco
A capacidade de previsão do marcador se manteve depois que os cientistas levaram em conta as placas de beta-amiloide no cérebro e o gene APOE4, um fator genético conhecido de risco.
Os limites do estudo
Os participantes podem não representar toda a população, e as previsões valem para períodos limitados, não para o risco ao longo da vida. Por isso, os autores defendem estudos maiores e com mais tempo de acompanhamento. Os exames de sangue também não são recomendados, por enquanto, como triagem de rotina para quem não tem sintomas. A neurologista Reisa Sperling, autora sênior, explica o motivo: “Ainda não temos tratamentos que modifiquem a doença para quem descobre que está em alto risco.”
Por que importa
O Brasil envelhece, e o Alzheimer toca a vida de muitas famílias. Um exame de sangue é bem menos invasivo e mais fácil de oferecer do que exames de imagem, o que pode ajudar a identificar mais cedo quem precisa de acompanhamento e a selecionar pessoas para pesquisas de novos remédios. Isso é uma descoberta de pesquisa, não um teste para pedir por conta própria: quem tem dúvidas sobre memória deve procurar um médico. Enquanto a ciência avança, também vale conhecer o que já existe, como o adesivo para tratamento de Alzheimer disponível pelo SUS e os efeitos da música sobre os sintomas de demência.
Fontes: estudo “Prognostic Value of Blood-Based P-Tau217 Levels for Progression to Cognitive Impairment”, JAMA (DOI 10.1001/jama.2026.12556); comunicado do Mass General Brigham, notícia publicada originalmente pelo ScienceDaily.
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