Um tecido que protege morangos de insetos, criado na Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), nos Estados Unidos, fez os pés de morango produzirem até 3,56 vezes mais frutas num teste de campo, sem uso de agrotóxicos sobre as plantas cobertas.
Um tecido em 3D sobre os canteiros de morango
O material se chama Plant Armor (algo como “armadura para plantas”) e é uma malha tricotada em três dimensões, com várias camadas e muitos poros. Estendido sobre o canteiro, ele forma uma barreira que os insetos não conseguem atravessar, mas deixa passar luz, chuva e ar.
A ideia nasceu de outro projeto do mesmo grupo: tecidos para uniformes militares que impedem picadas de mosquito. A segunda geração da malha foi adaptada para a agricultura, foi patenteada e já está licenciada pela universidade para desenvolvimento comercial.

Os números do teste com o tecido nos morangos
Os pesquisadores dividiram três canteiros elevados ao meio, numa estrutura em túnel na estação de pesquisa da universidade, em Raleigh: uma metade ficou coberta pelo tecido e a outra, descoberta. O cultivo durou uma safra, de novembro de 2024 a maio de 2025.
Mais frutas, maiores e mais cedo
As plantas cobertas deram, em média, 10,8 morangos cada, contra 2,83 das descobertas. Os frutos também ficaram mais pesados (12,2 gramas contra 6,6 gramas, em média) e a colheita tendeu a começar cerca de uma semana antes. Debaixo da malha, o ar ficou quase 2 °C mais quente, sem mudança na umidade, e as plantas não mostraram sinais de falta de luz.
“Descobrimos que o tecido não atrapalhou em nada o acesso à luz, e a produção de frutas aumentou bastante”, disse Gabriel Olawuyi, pesquisador da NC State e autor principal do estudo. Em testes de laboratório, nenhum pulgão conseguiu atravessar a malha.
Por que importa
O morango é delicado, cresce rente ao chão e sofre com pragas como os pulgões, o que costuma levar ao uso de defensivos nas plantações, inclusive no Brasil. Uma barreira física que afasta insetos e ainda aumenta a colheita pode, no futuro, ajudar a reduzir o uso de pesticidas e de água. Os próprios autores lembram que o resultado vem de um teste pequeno, de uma safra, e que ainda é preciso testar o tecido em fazendas, com outras culturas e em outros lugares.
Fontes: estudo publicado na revista Agriculture (MDPI); comunicado da NC State; notícia publicada originalmente pelo Good News Network
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Imagem: morangos cultivados com e sem o tecido Plant Armor. Foto: Gabriel Olawuyi / NC State (divulgação).
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