• ter. out 27th, 2026
Rins congelados por um ano voltam a funcionar em porcosImagem ilustrativa. Foto: <a href="https://pixabay.com/photos/chemistry-laboratory-nitrogen-fluid-165/" target="_blank" rel="noopener nofollow">Simon / Pixabay</a> (Licença Pixabay)

Cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, conseguiram fazer rins congelados a -150 °C por até um ano voltarem a funcionar: depois de reaquecidos e transplantados em porcos, os órgãos ganharam cor e produziram urina.

O que os cientistas fizeram com os rins congelados

A equipe trabalhou com rins de porco, que têm tamanho parecido com o de um rim humano, cerca de 100 vezes maiores que os rins de rato usados em testes anteriores do mesmo grupo. Os órgãos passaram por vitrificação: em vez de virar gelo, o tecido é resfriado até ficar num estado parecido com vidro, sem os cristais que rasgam as células.

Um dos rins ficou guardado por pouco mais de um ano. Na máquina de perfusão, que faz o sangue artificial circular pelo órgão, ele começou a produzir urina imediatamente. Nos transplantes, a maioria dos rins reaquecidos voltou a ficar rosada e a produzir urina cerca de um minuto depois de ligada à circulação do animal.

Como o órgão é descongelado

O segredo está no reaquecimento. Antes do congelamento, os pesquisadores enchem os vasos do rim com nanopartículas de óxido de ferro. Na hora de descongelar, um campo eletromagnético faz essas partículas esquentarem por igual, de dentro para fora, o que evita rachaduras. A técnica, chamada nanoaquecimento, levou três anos para ser adaptada a um rim de porco.

“Depois do último transplante, saí da sala e disse: isso é muito importante”, contou o cirurgião de transplantes Erik Finger, da Universidade de Minnesota, coordenador do estudo, à revista MIT Technology Review.

O que ainda falta

O trabalho é um preprint publicado no bioRxiv em 14 de outubro e ainda não passou por revisão de outros cientistas. Os testes foram feitos só em porcos, e os animais foram acompanhados por apenas duas horas após o transplante. Os rins mostraram alguns sinais de lesão, que a equipe atribui aos produtos usados para proteger o órgão do frio, e produziram cerca de dois terços da urina esperada. Ainda não se sabe se manteriam um animal vivo a longo prazo. Os próximos passos são acompanhar os porcos por mais tempo, buscar substâncias menos tóxicas e testar com rins humanos.

Por que importa

Hoje um rim doado aguenta, no máximo, de 24 a 36 horas no gelo. Por isso, muitos órgãos se perdem no caminho entre doador e paciente. Bancos de órgãos que durem meses permitiriam escolher com calma o receptor mais compatível e levar o rim a qualquer distância. Num país do tamanho do Brasil, com uma longa fila de espera por rim, isso faria muita diferença, ainda que leve anos para chegar aos hospitais.

Fontes: estudo “Functional recovery of vitrified and nanowarmed human-scale pig kidneys” (bioRxiv, preprint); MIT Technology Review; notícia publicada originalmente no Brasil pela Revista Galileu

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