Trinta minutos de exercícios para idosos usando só o peso do corpo, três vezes por semana, reduziram a fragilidade de pessoas com mais de 70 anos atendidas em uma Unidade Básica de Saúde de Sorocaba (SP). O resultado é de um ensaio clínico da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, feito em parceria com a Universidade de Manitoba, no Canadá.
Como foi o estudo com exercícios para idosos
Sessenta idosos, com média de 74 anos, foram sorteados para dois grupos. Um deles treinou por 24 semanas, cerca de seis meses; o outro manteve a rotina de sempre. Cada sessão tinha 5 minutos de aquecimento, 20 minutos de exercícios intervalados (30 segundos de esforço e 30 de pausa) e 5 minutos de alongamento.
Sem aparelhos e adaptado a cada um
Os movimentos incluíam variações de agachamento e exercícios que trabalham braços, pernas e abdômen ao mesmo tempo, sempre ajustados às condições de cada participante. A intensidade subia aos poucos, de moderada a vigorosa. Como não precisa de equipamento, o treino pode ser feito no próprio posto de saúde.

Os resultados do treino
A fragilidade foi medida por cinco critérios, como força de preensão, velocidade de caminhada, cansaço e nível de atividade física. Entre os idosos que começaram frágeis e treinaram, 80% passaram para a pré-fragilidade e 20% chegaram à condição de robustos. Entre os pré-frágeis, 69,2% ficaram robustos. Também melhoraram a força das pernas, a mobilidade, a velocidade da marcha e o teste de levantar e sentar da cadeira, e a pressão arterial sistólica caiu.
“A melhora já pode ser observada nas primeiras 12 semanas”, conta Lucas Marques Vieira, autor da pesquisa. O peso, o percentual de gordura e a massa muscular não mudaram de forma relevante. O estudo, publicado na revista European Geriatric Medicine, é pequeno e não substitui a orientação de um profissional de saúde.
Por que importa
Segundo os dados citados pelos pesquisadores, cerca de 9% dos idosos brasileiros são frágeis e mais da metade está na pré-fragilidade, fase em que ainda dá para reverter o quadro. Para o orientador do trabalho, o professor Francisco Luciano Pontes Júnior, o programa pode virar uma estratégia da atenção primária. Em um país que envelhece rápido, um treino simples, barato e feito perto de casa pode ajudar muita gente a manter a independência.
Fontes: artigo na European Geriatric Medicine; notícia publicada originalmente pelo Jornal da USP
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Imagem: mulher se exercitando ao ar livre. Foto: Marcos Santos/USP Imagens (reprodução permitida com crédito).
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