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Música alivia estresse cardíaco no trânsito

nov 14, 2019

Estudo internacional liderado por pesquisadores da Unesp confirmou a
influência benéfica da música em situações de estresse intenso

O estresse no trânsito é um fator de risco para o desenvolvimento de
doenças cardiovasculares e complicações súbitas no coração, como um
infarto, apontam estudos publicados nos últimos anos. Uma das soluções
para diminuir esse perigo pode estar em selecionar melhor a playlist de músicas que se ouve ao volante.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Marília indicou que dirigir ouvindo músicas do gênero instrumental alivia o estresse no coração.

Os resultados da pesquisa, apoiada pela Fapesp, foram publicados na revista “Complementary Therapies in Medicine”. O trabalho teve a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Oxford Brookes University, da Inglaterra, e da Università di Parma, da Itália.

“Constatamos que ouvir música ao dirigir atenuou o estresse no
coração das motoristas participantes do experimento que conduzimos”,
disse à Agência Fapesp Vitor Engrácia Valenti, professor da Unesp de
Marília e coordenador do projeto.

Os pesquisadores analisaram os efeitos da música no estresse do
coração de cinco mulheres saudáveis com idade entre 18 e 23 anos,
consideradas condutoras eventuais – dirigem entre uma e duas vezes por
semana – e que tiraram a carteira de habilitação recentemente.

Percurso com e sem música

“Optamos por avaliar condutoras não habituais porque as que dirigem
com frequência e há mais tempo já estão mais bem adaptadas a situações
de estresse no trânsito”, explicou Valenti.

As voluntárias foram avaliadas ao longo de dois dias, em situações
diferentes e de modo aleatório. No primeiro dia, elas dirigiram durante
20 minutos, em um trajeto de três quilômetros, em uma região movimentada
da cidade de Marília, no noroeste de São Paulo. O teste foi feito no
horário de pico – entre 17h30 e 18h30 – sem ouvir música.

Em outro dia elas refizeram o trajeto, com a mesma duração e no mesmo
período do dia, ouvindo músicas instrumentais com um aparelho de som
acoplado ao carro, já que o uso de fone de ouvido é classificado como
uma infração de trânsito.

“Para aumentarmos o grau de estresse, elas dirigiram um carro que não
era o delas, porque se cada uma dirigisse o próprio automóvel o nível
de estresse seria reduzido”, afirmou Valenti.

A fim de avaliar o nível de estresse no coração das participantes,
foi analisada a variabilidade da frequência cardíaca – as oscilações no
intervalo de tempo entre dois batimentos cardíacos consecutivos – por
meio de um monitor de frequência cardíaca acoplado ao tórax.

Atividade do sistema nervoso

A variabilidade da frequência cardíaca é influenciada pela atividade
dos sistemas nervoso simpático (que acelera os batimentos cardíacos) e
parassimpático (que induz a desaceleração dos batimentos cardíacos).

“A elevação da atividade do sistema nervoso simpático reduz a
variabilidade da frequência cardíaca e a do sistema parassimpático a
aumenta”, explicou Valenti.

Os resultados das análises indicaram uma diminuição da variabilidade da frequência cardíaca das voluntárias ao dirigir sem ouvir música, indicando uma redução da atividade do sistema nervoso autônomo parassimpático e a ativação do sistema simpático.

Em contrapartida, foi observado um aumento da variabilidade da
frequência cardíaca das motoristas ao ouvir música em razão do aumento
da atividade do sistema nervoso parassimpático, além de redução do
sistema simpático.

“Ouvir música diminuiu a leve sobrecarga de estresse a que as voluntárias foram submetidas ao dirigir”, afirmou Valenti.

Medidas preventivas

O estudo teve a participação só de mulheres para controlar as
influências relacionadas aos hormônios sexuais, explicou o pesquisador.

“Se misturássemos mulheres e homens, e se houvesse uma diferença
significativa entre esse primeiro e o segundo grupo, o resultado poderia
levantar dúvidas de que as diferenças estariam relacionadas à
influência do hormônio sexual feminino”, disse Valenti.

Na avaliação do pesquisador, os resultados do estudo podem contribuir para a criação de medidas preventivas cardiovasculares em situações de estresse exacerbado, como a vivenciada no trânsito.

“Ouvir música pode ser uma medida preventiva a favor da saúde cardiovascular para aliviar situações de estresse intenso, como ao dirigir em horário de pico”, disse.

Fonte: Revista Planeta

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