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Menino com autismo começa a conversar após terapia com cães

jun 25, 2019
Imagem: g1.globo.com

Raylon
Lomeu está entre os 12 pacientes atendidos pelos Bichos Terapeutas.
Animais participam de sessões de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia
ocupacional e psicologia na rede pública.

Nino, Thor e Tacha fazem parte de um time de respeito: Bicho
Terapeutas. Os cachorros ajudam crianças e adultos durante sessões de
fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e psicologia
realizadas na rede pública, em Morrinhos, na região sul de Goiás. Entre os alunos está Raylon Lomeu, de 8 anos, que começou a falar após participar do projeto.

“Com a presença do cão, a gente consegue que ele se comunique, fale com
a gente, dê respostas, faça perguntas, coisas que não fazia. A criança
fica mais espontânea, à vontade. Foi um resultado incrível”, afirma a
fonoaudióloga Meiriely Duarte Silveira, responsável pelo tratamento.

Pai de Raylon, José Ricardo Dias Lomeu espera uma evolução constante do filho.

“Eu
me sinto confiante que ele vai melhorar sempre. Cada dia uma coisa que
ele faz é uma conquista para nós. Espero que seja independente, consiga
se defender”, disse.

Rayssa Vieira esbanja alegria durante as sessões com os cães em Morrinhos, Goiás — Foto: Paula Resende/G1

Professora do curso de zootecnia do Instituto Federal Goiano, Aline
Camargos criou o projeto em 2014 e, desde então, 30 pessoas já foram
atendidas pelos bichos — uma maritaca também compõe o time. Atualmente,
12 pacientes fazem terapia com os animais, uma vez por semana. O
tratamento dura, no mínimo, seis meses.

A estudante Rayssa Vieira, de 15 anos, nasceu com hidrocefalia e teve
os movimentos prejudicados por causa de uma lesão na coluna. Os cães são
como um espelho para ela durante as sessões de terapia ocupacional.

“Aqui,
a gente realiza a escovação do pelo do cão e, depois, a gente traz isso
para a atividade do dia a dia, que é pentear os cabelos”, explica a
terapeuta ocupacional Natasha Azeredo.

Enquanto Raylon e Rayssa aprendem os movimentos, o aposentado Arnaldo
Vieira Ramos, de 75 anos, precisa ganhar força para fazê-los novamente.
Ele sofreu um acidente vascular cerebral em 2011 e perdeu a força do
braço e perna esquerdos. Em vez de levantar pesos, ele levanta o Nino.

Os resultados surpreendem alunos e professores que desenvolvem o projeto.

Professores, alunos e profissionais da Saúde participam do projeto Bichos Terapeutas, em Morrinhos — Foto: Paula Resende/G1

“Os animais entram acelerando o processo de ganho de saúde. Me sinto realizada de ver o ganho dos pacientes e, não só dos pacientes, percebo que os alunos que eu trago evoluem muito como cidadãos. A gente percebe que o aluno que está ajudando é alguém que também precisava de ajuda”, destaca Aline.

‘Seleção’

Para participar do projeto, os animais precisam ser aprovados,
inicialmente, pelo veterinário Flávio Barros Costa. “Os calendários
vacinal e preventivo, tanto de verminose quanto de ectoparasita, têm de
estar atualizados para que, entrando em contato com os pacientes, os
cães não levem nenhuma zoonose ou doença. É um acompanhamento
ininterrupto”, afirma.

Além dos testes de sanidade, os bichos também passam por avaliações
comportamentais. “A partir do resultado do hectograma, a gente vai
entender o quanto o cão gosta do contato com o ser humano, o quanto é
receptivo a outras técnicas, o aprendizado de truques e adestramento”,
explica a coordenadora do projeto.

Aline ressalta que, para os animais atenderem bem, é necessário que
eles estejam bem. “O bem-estar desses animais que atuam como
co-terapeutas é bem importante para a gente. Eles só podem participar de
três sessões de 30 minutos por dia. A gente não pode ultrapassar esse
limite porque o animal cansa e, quando está cansado, estressado, ele
começa a ter outras reações que diferem do comportamento natural deles”,
explica.

“A gente tem a segurança que os cães estão gostando dos atendimentos”, completa a professora.

Fonte: G1

Imagem: g1.globo.com

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