• qua. out 28th, 2026

Médico siberiano troca férias por cirurgias gratuitas em crianças ao redor do mundo

ago 30, 2019
Imagem: br.rbth.com

Nos últimos 15 anos, Mikhail Kolibelkin passou suas férias realizando
cirurgias faciais complexas em pequenos pacientes gratuitamente.

Sonia, de três anos, nasceu com lábio leporino e fenda palatina. Se
você não soubesse disso, dificilmente notaria qualquer vestígio de sua
operação. Ela olha e fala como qualquer outra criança. No entanto, há
pouco tempo, seus pais pensaram que o diagnóstico era como uma sentença
para vida toda: na Rússia, a cirurgia de fenda palatina é recomendada
para crianças a partir dos cinco anos; mas, em Novosibirsk, há um
cirurgião que realiza essa operação até mesmo em bebês de cinco meses.

“Aos cinco meses, o bebê está começando a aprender a falar, e nessa idade a fenda deve ser removida, para que a criança não precise ser retreinada a falar mais tarde”, diz o cirurgião bucomaxilofacial em um hospital infantil Mikhail Kolibelkin.

Há mais de 30 anos, Kolibelkin ajuda crianças como Sonia, que
nasceram com deformações faciais diversas. Operar uma fenda orofacial é a
cirurgia mais comum que o médico siberiano realiza: são de 70 a 80
dessas operações por ano.

Mas, para o experiente cirurgião, o
trabalho nunca para – nem mesmo nas férias: junto com médicos da
organização beneficente internacional Operation Smile, ele viaja para
outras regiões do próprio país e do exterior realizando cirurgias
gratuitas em crianças e adolescentes.

“Os médicos são vistos como deuses”

A Operation Smile foi criada em 1982 nos EUA e chegou à Rússia em 1995. Seu objetivo é fornecer ajuda gratuita a crianças com fissuras de complexidade variada. Mikhail se juntou ao rol de médicos voluntários em 2003.

“Primeiro, cirurgiões dos EUA vieram até nós em Novosibirsk para
checar as qualificações dos médicos. Eles me observaram realizando
operações complexas e depois me convidaram para fazer parte da equipe”,
conta.

Desde então, Mikhail já ajudou milhares de crianças na Rússia e no exterior, como Quênia, Índia, Marrocos, China e Jordânia.

“É
direto das crianças russas receber atendimento cirúrgico, mas nem todas
as regiões têm especialistas capazes de realizar essas operações no
rosto”, explica Kolibelkin. Em agosto passado, o médico passou férias em
Altai, tratando crianças de várias partes da república. Nesta missão
foi acompanhado por médicos de Minsk e Irkutsk.

“No exterior, essas operações geralmente não são pagas pelo Estado”, diz Mikhail. “Nós vamos a países onde os pais teriam que pagar milhares de dólares por essa cirurgia, e a realizamos de graça. Em muitos lugares, os médicos são como deuses.”

Missões de caridade como essas são geralmente a única oportunidade
para uma criança realizar a operação, caso seus pais não possam pagar.
“Em Guangzhou, por exemplo, estávamos trabalhando em uma clínica
praticando medicina tradicional chinesa”, recorda Mikhail. “Era um
hospital grande, como um hospital distrital na Rússia, mas tinha apenas
dois departamentos que realizavam cirurgias e muitos pacientes – cerca
de 360. Durante cinco dias, realizamos 240 cirurgias em nove mesas de
operação, das quais apenas 4 ou 5 eram mesas de operação adequadas.
Operei crianças em uma mesa comum, sentado em uma cadeira giratória,
enquanto algum tipo de lâmpada era rebaixada sobre mim para aumentar a
luz. Cada operação leva uma hora e meia, e foi assim que passamos 10 a
12 horas todos os dias. Na China, operações como essas custam de US$
1.000 a 3.000, dependendo da complexidade.”

“Existem milhares de médicos como eu”

Para Mikhail, a participação nessas missões internacionais é uma oportunidade de ver outros países não como destino turístico, mas para conhecer pessoas, suas vidas e problemas cotidianos. Quando questionado se fica cansado de realizar operações o tempo todo, o médico nega de prontidão. “Fico mais cansado quando não faço nada. Durante uma operação, você entra em uma dimensão completamente diferente e deixa de prestar atenção em tempo e espaço. Este trabalho é meu destino e minha vida.”

Crianças de várias partes do país viajam a Novosibirsk para serem
atendidas por Kolibelkin. Em 2018, ele recebeu o título de “Médico do
Ano” em sua região, mas garante: “Há muitos bons médicos trabalhando no
meu hospital”.

“Como alguém pode se considerar o melhor? Quantos
médicos existem como eu? Milhares!”, diz Mikhail. “Quantos médicos
realizam operações tão complexas como transplantes de órgãos?! Mas
estou, naturalmente, muito contente por receber este reconhecimento dos
meus colegas. É um marco na minha carreira de 32 anos.”

O filho de Mikhail também se tornou cirurgião infantil. “Ele é minha mão direita. Quando estou ausente, sei que o trabalho não vai parar, que um substituto digno está sendo treinado”, diz. Assim como o pai, Konstantin também conquistou reconhecimento em outros países – ingressou na Operação Sorriso e viaja pelo mundo fazendo cirurgias gratuitas: ele já esteve nas Filipinas e na Índia duas vezes.

Fonte: RBTH

Imagem: br.rbth.com

Boas notícias toda semana no seu e-mail

Uma vez por semana, um resumo das boas notícias no seu e-mail. Grátis.

Se você entende que esta publicação não deveria estar em nosso jornal, por favor, nos notifique.