Pesquisadores de instituições brasileiras já podem publicar na Nature sem pagar taxa. Um acordo entre a Capes, órgão do Ministério da Educação que apoia a pós-graduação, e a editora Springer Nature passou a cobrir os custos de publicação em acesso aberto também nas revistas do portfólio Nature, a partir de 1º de setembro de 2026.
Como funciona o acordo entre a Capes e a Springer Nature
Quem publica em acesso aberto costuma pagar uma taxa de processamento do artigo. Pelo acordo, a Capes assume essa conta para os autores elegíveis. O contrato dura três anos, de 1º de janeiro de 2026 a 31 de dezembro de 2028. Para as revistas da Springer, vale para artigos aceitos desde o início de 2026; para as do portfólio Nature, para artigos aceitos entre 1º de setembro de 2026 e o fim de 2028.
A Capes também cobre a taxa em mais de 1.730 revistas híbridas elegíveis, e os pesquisadores das instituições participantes ganham leitura completa de mais de 1.770 periódicos da Springer.
Quem pode usar
O autor correspondente precisa estar ligado a uma instituição participante do Padict, ter um número ORCID vinculado ao sistema Meus Dados Capes e estar registrado na Plataforma Sucupira. Entram docentes ativos, pós-doutorandos, alunos de mestrado e doutorado, egressos titulados há até cinco anos e servidores de instituições participantes. A situação é avaliada na data em que o artigo é enviado.
O que o acordo não cobre
Custos extras pedidos pelos autores, como páginas excedentes, figuras coloridas e material suplementar, ficam por conta de quem publica. Além disso, o artigo precisa sair com a licença Creative Commons CC BY, que deixa qualquer pessoa ler e reutilizar o trabalho, desde que dê o crédito. Os direitos autorais continuam com os autores.
Na prática, depois que o artigo é aceito, o autor correspondente recebe um e-mail da editora, informa afiliação e ORCID e, se for elegível, escolhe o acesso aberto. Então a Capes autoriza a cobertura. As regras de pagamento constam na Portaria Capes nº 120/2024, alterada pela Portaria nº 224/2026.
Por que importa
A taxa de publicação é um dos obstáculos para que a ciência brasileira chegue a revistas de grande prestígio, sobretudo para grupos com pouco orçamento. Com a conta coberta, mais pesquisas feitas com dinheiro público podem ficar abertas a qualquer pessoa, e não presas atrás de assinaturas. O efeito para o leitor é indireto, mas real, e combina com o bom momento dos cientistas brasileiros mais citados no mundo.
Fontes: página do acordo Springer Nature–Capes; notícia publicada originalmente pela Folha de S.Paulo.
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