O Festival das Ariranhas, realizado na comunidade de Palmari, no Amazonas, na bacia do rio Javari, virou ponto de partida para um projeto de mestrado da USP em Ribeirão Preto. A ideia é ouvir as ariranhas na Amazônia com gravadores e inteligência artificial, contando com a ajuda de quem vive no rio.
Um festival para falar de ariranhas
A festa celebrou o Dia Mundial da Lontra de 2026 e foi organizada por Kirpal Rodriguez, pesquisador da USP. Ele se inspirou no Festival del Choibó, iniciativa colombiana de conservação do macaco-aranha-marrom.
A programação misturou diversão e educação ambiental: teatro, a “Copa das Ariranhas” de futebol, apresentações culturais, almoço comunitário, troca de plantas e plantio com as crianças. Houve ainda um concurso de imitação das vocalizações dos animais, com participação de indígenas Matis, e uma troca de garrafas plásticas por brinquedos e roupas, que recolheu cerca de 80 garrafas.
Conversa sobre a pesca
O evento também tratou dos conflitos com a pesca. Pescadores relataram que as ariranhas consomem peixes e danificam redes, um ponto central para qualquer plano de convivência com a espécie.
Do festival ao mestrado: ouvir as ariranhas
O festival deu origem a uma proposta de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, orientada pela professora Patrícia Ferreira Monticelli. O projeto combina bioacústica, inteligência artificial e conhecimento local para monitorar os animais.
Como será o monitoramento
Gravadores fixados em árvores perto dos cursos d’água vão registrar os sons. Pescadores e voluntários participam da escolha dos pontos e da coleta das gravações. A proposta se apoia em trabalhos que já identificaram 22 tipos de vocalizações de ariranhas. A bióloga Ana Maria Montes Ferro, formada pela Universidade de los Andes, também colabora.
Por que importa
As ariranhas chegaram a ser quase extintas e hoje voltam a ocupar rios amazônicos. Acompanhar esses animais de forma contínua exige método e, principalmente, parceria com a população local. Aqui, os moradores ajudam a decidir onde ouvir e o que registrar, um modelo que une universidade, cultura e tecnologia a favor da fauna brasileira.
Vale o registro: segundo o texto original, não há previsão de intervenções de manejo nem de mudança de atitude dos moradores durante o mestrado. Está prevista uma nova edição do Dia da Ariranha para avaliar mudanças de crenças e atitudes.
Fontes: Jornal da USP (28/10/2026), notícia publicada originalmente pelo Jornal da USP.
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Imagem ilustrativa de uma ariranha. Foto: ArtisticOperations / Pixabay.
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