Em um centro de educação infantil da rede municipal de Blumenau (SC), três professoras usaram contos de fadas na educação infantil para que crianças de 2 e 3 anos se reconhecessem nas histórias. O projeto “O conto que te conto” juntou clássicos, releituras com cenários brasileiros e as memórias das próprias famílias.
Como os contos de fadas entraram na sala da educação infantil
O relato foi publicado no Porvir pelas professoras Nadine de Andrade, Cleonice Teresinha Barthel Ringenberg e Fabrícia Luiza Ramos Carvalho, do Centro de Educação Infantil Pastor Nirton dos Santos. O projeto começou em 2024 e, entre fevereiro e julho de 2026, ganhou uma nova versão com a turma atual.
Primeiro, elas observaram as brincadeiras e enviaram um questionário a 18 famílias, perguntando sobre histórias, livros, músicas e lembranças de infância. Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos e o Lobo Mau apareceram nas respostas.
Uma caixa de correio e um carteiro imaginário
Inspiradas no livro O Carteiro Chegou, de Janet e Allan Ahlberg, as crianças construíram uma caixa de correio de papelão. Em 9 de março, um “carteiro” anunciou sua chegada com som de bicicleta e três batidas na porta, e desde então volta para trazer novas histórias. Junto com Cachinhos Dourados e Cinderela, a turma conheceu releituras como Chapeuzinho Vermelho e o Boto-Cor-de-Rosa e Afra e os Três Lobos-Guarás. Cada história virou teatro de sombras, música, pintura e faz de conta.
O que as crianças fizeram com as histórias
Ao conhecer Cachinhos Dourados, uma menina quis saber se seus cachos eram iguais aos da personagem; outro aluno se reconheceu na hora no menino de uma das releituras. Quando o medo do lobo apareceu em casa, as professoras criaram mais atividades sobre emoções. Num “Laboratório das Histórias”, com capas, chapéus e cestas e sem papéis definidos, as crianças trocavam de personagem e inventavam novos rumos para os contos.
O que as professoras observaram
Segundo o relato, as crianças passaram a participar mais e a interagir mais com os colegas, e as mais quietas se soltaram em grupos pequenos. As autoras são cuidadosas: dizem que não dá para atribuir as mudanças só ao projeto.
Por que importa
Ver-se nas histórias ajuda a criança a construir autoestima e a respeitar as diferenças desde cedo. O projeto mostra que isso não exige grandes recursos: livros, papelão, tecidos e uma escuta atenta às famílias. A proposta segue os campos de experiência da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pode ser adaptada por outras escolas.
Fontes: relato das professoras na seção Prêmio Professor Porvir, notícia publicada originalmente pelo Porvir
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