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Jovem cria aplicativo para emergências que funciona sem rede

Jovem cria aplicativo para emergências que funciona sem redeImagem ilustrativa. Foto: <a href="https://pixabay.com/photos/hands-holding-smartphone-chatting-1853302/" target="_blank" rel="noopener nofollow">Pexels / Pixabay</a> (Licença Pixabay)

Um estudante turco de 17 anos criou um aplicativo para emergências que troca mensagens pelo Bluetooth, de celular em celular, quando a internet e a rede de telefonia caem. O Crisis Connect é gratuito, tem código aberto e está disponível para Android e iPhone.

A ideia nasceu depois do terremoto

Emirhan Duman mora em Istambul, na Turquia. Em 6 de fevereiro de 2023, terremotos atingiram o sul do país e o norte da Síria, e a comunicação por celular ficou muito prejudicada em várias cidades. Ele resumiu o problema numa frase: os telefones sobreviveram, as torres não.

A partir de abril de 2025, Emirhan passou cerca de um ano construindo o aplicativo sozinho, entre uma aula e outra.

Como funciona o aplicativo para emergências

Quando há rede, o Crisis Connect funciona como um app de mensagens comum, com conversas criptografadas e chamadas. Quando a rede cai, ele passa a usar o Bluetooth para falar com quem está por perto, sem precisar de conta, chip, Wi-Fi ou servidor central.

Mensagens que “pulam” de celular em celular

O truque está no modo em malha. Com ele ligado, cada celular próximo funciona como um elo e repassa a mensagem adiante, até ela chegar ao destinatário, além do alcance de uma única conexão Bluetooth. Esse modo vem desligado, para poupar bateria, e pode ser ativado numa emergência.

O app também tem botão de SOS com envio da localização, bússola, lanterna, apito de alto volume, mapas que funcionam sem internet e um guia de sobrevivência com primeiros socorros.

Precisa ser instalado antes

Os contatos são adicionados com a leitura de um QR Code ou por conexão próxima, por isso o ideal é instalar e testar o app com a família e os vizinhos antes de qualquer crise. O próprio criador reconhece os limites: paredes, escombros, bateria e o número de celulares por perto reduzem o alcance. “A comunicação em malha pelo celular não vai substituir links de satélite, rádio de emergência nem os sistemas oficiais de alerta”, escreveu Emirhan. A ideia é ajudar nas primeiras horas depois de um desastre.

Por que importa

Enchentes, deslizamentos e temporais também derrubam antenas no Brasil, e as primeiras horas são as mais importantes para achar quem precisa de ajuda. Uma ferramenta gratuita e aberta, que qualquer pessoa ou órgão pode conferir e melhorar, mostra como um jovem com um computador pode transformar uma tragédia em algo útil para muita gente.

Fontes: artigo de Emirhan Duman no PreventionWeb, portal do Escritório da ONU para Redução do Risco de Desastres; site do Crisis Connect; notícia publicada originalmente pela Good News Network

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